O texto de hoje, que trata do Transtorno de Déficit de Atenção, é uma colaboração de Guenia Bunchaft, que é a responsável pelo site SOS Pesquisa e Rorschach.
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, comumente denominado TDA/H é um problema de saúde mental que tem dois grupos de sintomas básicos: 1- desatenção e 2- hiperatividade (agitação) e impulsividade. Segundo a Associação Americana de Psiquiatria 6%da população em idade escolar sofre desse mal; as pesquisas apontam para um índice próximo a esse no Brasil. Segundo pesquisas recentes, a proporção meninos/meninas é de dois para um.
Quais os tipos de TDA/H?
1-TDA/H com predomínio da desatenção- mais comum em meninas, os sujeitos “vivem no mundo da lua”, são desorganizados, são distraídos, têm dificuldade de manter o foco da atenção nas tarefas e esquece os compromissos. Na área escolar, os prejuízos no desempenho podem se tornar crônicos; além disso, normalmente têm problemas em seus relacionamentos com colegas e professores, associados à baixa tolerância à frustração e à dificuldade de controle dos impulsos.
Convém destacar que o problema da criança com TDA/H não é propriamente o de prestar atenção, mas de manter a atenção focalizada, por períodos mais longos, em atividades pouco interessantes; segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barboza Silva, a criança com essa patologia presta muita atenção naquilo que desperta seu real interesse; tratar-se-ia, portanto, de uma atenção instável.
2-TDA/H com predomínio da hiperatividade/impulsividade- crianças que remexem pés e mãos quando estão sentadas, agitadas e inquietas além do usual em crianças, “parecem ter bicho -carpinteiro”, falam demais, respondem às perguntas antes que elas sejam terminadas e têm dificuldade de esperar a vez. O impacto é maior em casa, pois o tipo hiperativo- desafiador entra em conflito com os pais, que normalmente têm dificuldade para conseguir que elas se adequem ao que é esperado delas.
3- TDA/H combinado- as crianças desse grupo apresentam muitos sintomas de desatenção e de hiperatividade/impulsividade. Este tipo é o que tem prejuízos globais relativos à família e à escola mais acentuados.
E como se manifesta o TDA/H em adultos?
Quando o TDA/H não é identificado e tratado adequadamente na criança, a patologia se agrava, estando então associada à ansiedade, à depressão e a preocupações crônicas que, praticamente, inviabilizam a superação dos déficits associados ao TDA/H. O adulto com essa patologia tem a autoestima muito rebaixada e padrões crônicos de auto sabotagem, que o impedem de realizar objetivos que estão ao seu alcance.
E quais as causas do TDA/H?
Achados científicos indicam nitidamente que a pessoa com TDA/H nasce com uma alteração no lobo frontal, responsável pela regulação da velocidade e da quantidade de pensamentos. Essa alteração na ação filtrante do lobo frontal está associada à baixa de dois neurotransmissores encontrados nessa área: a dopamina e a noradrenalina.
Quais as causas dessa alteração no lobo frontal?
Estudos realizados parecem indicar que entre 50 a 92% da variedade de comportamentos hiperativos e impulsivos em crianças se deve à hereditariedade; mas, provavelmente, o que é herdado não é o transtorno, mas a vulnerabilidade a ele. Complicações no parto que causem sofrimento fetal podem funcionar com um “gatilho ambiental”. Estilos parentais muito permissivos, caóticos, de discórdia conjugal ou cuja interação é agressiva também podem facilitar o TDA/H.
Finalizando, o TDA/H é um distúrbio que parece ser, geralmente, menosprezado como um “mal menor” e por isso muitas vezes não é identificado e tratado precocemente; tal fato tem repercussões sérias pois, quando não tratado, tem impacto negativo sobre a vida da criança, seus pais e seus professores. Além disso, ao se perpetuar na adolescência e na vida adulta, ocorre um agravamento do quadro.
Ilustrando, o filme Procurando Nemo tem um personagem que encarna as características do tipo 1 do TDA/H. No filme, Nemo é um peixinho-palhaço que sobreviveu a um ataque de um predador que matou sua mãe e todos os seus futuros irmãozinho, ainda em ovas. Desde então seu pai, Marlin, passou a superprotegê-lo, sem muito sucesso.
Nemo, destemido e animado, se arrisca em mar aberto e é fisgado por pescadores, acabando por enfeitar um aquário na Austrália, deixando seu pai desesperado para resgatá-lo. Marlin empreende, então, uma viagem pelo mar com a ajuda da simpática peixinha azul Dory. Esta é a típica TDA/H- vive no mundo da lua, é sonhadora, criativa, atrapalhada, desastrada, esquecida, desastrada e muito falante. Até a baixa autoestima e o medo de rejeição típicos do TDA/H Dory evidencia quando Merlin, quase no final do filme, desesperançado com a busca, pede a ela que siga seu caminho. Ela chora e pede que ele não a deixe sozinha, pois foi a única pessoa que conseguiu ficar com ela durante tanto tempo!
Finalmente, depois de muitas idas e vindas, com ajuda dos próprios peixes do aquário, Nemo escapa para mar aberto e para os braços do pai; Dory, é claro, torna-se companheira inseparável dos dois.


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